REVISTA ELETRÔNICA de EDUCAÇÃO & SAÚDE.

REVISTA ELETRÔNICA de EDUCAÇÃO & SAÚDE (ano XXXII) 2014 ou 5775
Criação e realização do biólogo e professor JOÃO ANGELO MARTIGNONI TEIXEIRA
Orientação e configuração do engenheiro e professor EVERARD LUCAS CARDOSO

24 de set de 2014

Estamos no ano 5775 no calendário judaico ou hebraico...

O calendário judaico ou hebraico é mais antigo que o gregoriano; existe há mais de 3300 anos, quando D'us mostrou a Moisés a Lua Nova, no mês de Nissan, duas semanas antes da libertação dos filhos de Israel do Egito, no ano 2448 após a Criação do mundo. A partir dessa época, o povo judeu recebeu um calendário especial, diferente dos outros já existentes.
De que modo este calendário se distingue? O calendário judaico é lunissolar (os meses seguem as fases da Lua), porém leva-se em conta as estações do ano.
O mês lunar compreende o tempo que decorre de um Novilúnio até o próximo, consistindo de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3,33 segundos. Como é impossível incluir num mês períodos fracionados como meios dias, horas e minutos, calculamos normalmente os meses de 29 e 30 dias, alternadamente. Desta forma resolve-se o problema das 12 horas excedentes que, uma vez são abatidas do mês de 29 dias e outra vez acrescidas no mês de 30 dias.
Mas, os períodos lunares abrangem além das 12 horas referidas, também uma fração de cerca de 44 minutos. Surge então a necessidade de resolver este problema adicional. Além disso, seria muito complicado que o dia santificado de Yom Kipur caísse no dia antes ou depois do Shabat; se o Yom Kipur fosse na 6ª-feira ou no domingo, teríamos 2 dias consecutivos proibindo qualquer tipo de trabalho, inclusive a preparação dos alimentos e, em caso de morte, não haveria enterro por 2 dias e de acordo com a Lei Judaica, não poderíamos retardar o funeral.
Para solucionar essas questões, adiciona ou subtrai-se um dia em determinados anos, para Yom Kipur nunca cair numa 6ª-feira ou num domingo, e que outras festividades também não caiam em certos dias da semana. Deste modo fica resolvido o problema dos 44 minutos que sobram.
É possível saber se qualquer um dos meses será completo (com 30 dias) ou incompleto (com 29 dias), observando-se a data de Rosh Chôdesh do mês seguinte. Se houver 2 dias de Rosh Chôdesh, significa que o mês que termina é completo; assim sendo o 30° dia é sempre o 1° dia de Rosh Chôdesh do próximo mês. Quando um só dia é Rosh Chôdesh, o mês que acaba tem somente 29 dias.
Ainda é preciso da matemática, pois o calendário judaico baseia-se nas fases da Lua, diferente do calendário gregoriano que segue a rotação do Sol. Afirmamos também que podemos ter 29 ou 30 dias em cada mês do calendário judaico, mas nunca menos ou mais.
Um ano no calendário judaico tem 354 dias; ou seja, o ano lunar tem 11 dias menos do que o ano solar, que tem aproximadamente 365 dias (no calendário gregoriano).
Qual é a importância disto? Aconteceria o seguinte: as festividades, neste caso, caminhariam para trás, cerca de 11 dias em cada ano, até que a festa de Pêssach, que deveria ser celebrada na Primavera (considerando as estações em Israel), cairia no meio do Inverno; e Sucot que é no Outono, seria em pleno Verão, etc...
A Torá diz que deve-se comemorar cada festividade na respectiva estação; por isso não ignora-se o sistema solar que determina as 4 estações do ano e não pode-se deixar os 11 dias e as frações para trás.
A solução é fazer com que estes se acumulem até inteirar 1 mês, quando então adiciona-se esse mês ao ano lunar. Assim é que nestes referidos anos tem-se 2 meses de Adar: Adar I e Adar II. Este ano é denominado embolísmico.
Informações suplementares: o ano do calendário judaico tem 354 dias dividido em 12 meses de 29 e 30 dias alternadamente. Tal ano é denominado "regular". Mas como já explicamos acima, em alguns anos deve-se acrescentar ou subtrair 1 dia de um dos meses. Este dia é adicionado ao mês de Cheshvan (30 no lugar dos costumeiros 29); então o ano é chamado de "completo". Quando o dia é subtraído, é retirado do mês de Kislev (29 dias no lugar do normal 30) e o ano é chamado de "incompleto". Assim, o ano normal de 12 meses poderá ter 353, 354 ou 355 dias, enquanto o ano embolísmico teria 383, 384 ou 385 dias.
O calendário judaico é reorganizado em pequenos ciclos de 19 anos, cujas datas se coincidem com as do calendário gregoriano. Os anos embolísmicos são formados no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo.
Há mais de 1600 anos, os sábios do Talmud, que não tinham computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de Setembro de 2239.



As fotos que ilustram cada signo a seguir, são do Fotógrafo Askadiusz Branicki que resolveu criar um horóscopo um pouco diferente, pois ele acredita que cada pessoa pode usar seu corpo para demonstrar diversas manifestações de criatividade. Ele criou a série ‘’Zodiac’’, em que mulheres posam como se fossem os símbolos das 12 constelações e seus respectivos signos. Confira o resultado após a descrição de cada signo:

Áries (Nissan):
Este é o 1° mês do Zodíaco Judaico e é governado pela letra hê (h), "o sopro da fala", a partir da qual evoluem todos os outros sons. Os seres humanos distinguem-se das outras criaturas pelo poder da fala, sua capacidade de comunicar seus pensamentos aos outros. Assim, "falar corretamente" é o início do crescimento espiritual. A celebração deste mês é Pêssach. Durante a refeição de Pêssach, emprega-se o poder da fala para o propósito mais elevado: comunicar-se aos filhos (e à criança que existe dentro de nós) a experiência da miraculosa presença de D'us na vida e na história. A tribo deste mês é Yehudá, o líder real, do qual descendem os monarcas judeus. O sacrifício de Pêssach no Templo foi um cordeiro, o que reflete o signo de Áries.


Touro (Iyar):
Iyar é o mês entre o renascimento espiritual em Nissan e a nova maturidade - que se alcança ao receber a Torá - em Sivan. Da mesma forma, a letra deste mês, vav (v), representa a linha reta da verdade. O signo de Touro, representado pelo animal do mesmo nome, significa a individualidade e a teimosa devoção à esta verdade, o pré-requisito para a maturidade. Iyar é portanto o mês do "pensamento correto," o atributo no qual as pessoas devem concentrar-se, preparando-se para receber a Torá. A tribo deste mês, Yissachar, destacava-se pela sua amorosa devoção ao estudo de Torá.


Gêmeos (Sivan):
Este é o mês do "movimento correto," de aprender como caminhar nas trilhas da Torá que os judeus receberam novamente em Shavuot. Este mês é governado pela letra zayin (z), que significa "arma" (a Torá é a arma contra o mal). Andar nos caminhos da Torá é sintetizado pela tribo deste mês, Zevulum, a tribo de navegadores que apoiou a tribo Yissachar em seu estudo de Torá. Estes dois irmãos tinham carreiras diferentes mas trabalhavam juntos, simbolizados pelo signo astrológico de Gêmeos. O conceito de gêmeos também evoca a imagem das 2 tábuas no Monte Sinai, e a associação de D'us e o povo judeu na Torá.


Câncer (Tamuz):
O mês é governado pela letra chet (ch), que significa "temor". Câncer, o caranguejo, é uma criatura passiva que tende a correr e esconder-se. O desafio dos meses do verão é usar as faculdades de pensamento, fala e ação de forma temente a D'us, e afastar-se de situações que obstruam a consciência Divina. A consequência por negar a consciência Divina é a triste comemoração da destruição do Templo neste mês e no próximo. A tribo deste mês é Reuven, cujo nome origina-se da palavra para "visão," a faculdade que deve-se aperfeiçar neste mês. "Enxergar erradamente" leva à destruição e ao luto; através da "visão correta" aumenta-se a santidade do mundo, concentrando-se naquilo que é positivo.


Leão (Av):
Neste mês, cultiva-se a "audição correta", mencionada no nome da tribo deste mês, Shimeon, que vem da palavra para "audição". A Nove de Av, prantea-se o Templo Sagrado, destruído por nações, Babilônia e Roma, que se assemelhavam a leões - daí a associação com o signo de leão. A letra que governa este mês, tet (t) tem o significado negativo de "areia movediça", mas é também a 1ª letra da palavra "bom" (tov), pois pode-se atingir os níveis mais elevados transformando os níveis mais baixos no bem.


Virgem (Elul):
Corrigir os atributos dos meses anteriores, leva os judeus ao mês do retorno, Elul, quando concentram-se na "ação correta". Faz-se um inventário e prepara-se espiritualmente para as Grandes Festas. O desejo de atingir uma nova inocência no relacionamento com D'us é expressado pelo signo deste mês, Virgem. A letra regente deste mês, yud (y), significa "mão", lembra o sincero arrependimento por falhas e resoluções para o futuro que devem se refletir nas ações de cada pessoa. A tribo deste mês, Gad, era formada de arqueiros que aperfeiçoaram a faculdade da ação, desafiando as forças do mal e conquistando a Terra de Israel.


Libra (Tishrei):
Neste mês do "sentimento correto", D'us pesa e avalia as ações passadas das pessoas, determinando como Ele distribuirá as bênçãos da vida no ano vindouro. Isto está refletido pelo signo Libra, as balanças. A nova inocência, que introduz-se no relacionamento com D'us durante o mês precedente de Elul, é agora realizada através de uma sucessão de dias festivos, começando com Rosh Hashaná. Tishrei é, portanto, o mês da união conjugal entre D'us e Israel. Este mês do "sentimento correto" é governado pela letra hebraica lamed (l), a 1ª letra da palavra "coração" (lev). O nome da tribo deste mês, Efraim, significa "frutífero", expressando a união com D'us e as repercussões positivas por todo o ano vindouro.


Escorpião (Cheshvan):
Em Cheshvan, integra-se a inspiração de Tishrei à vida real. Não há dias festivos, somente a vida do dia a dia. O valor numérico da letra hebraica deste mês - nun (n) - é 50, indicando os 50 níveis de consciência Divina que pode-se atingir quando a pessoa está espiritualmente ativa, e os 50 níveis de impureza nos quais pode-se afundar quando a pessoa deixa que a vida "simplesmente passe". O veneno do escorpião é frio, simbolizando o perigo de abordar a vida sem paixão. O nome da tribo deste mês, Menashe, também soletra "sopro" (neshimá), conectando-o ao sentido de refinar-se neste mês, o olfato. O olfato é considerado o mais espiritual dos sentidos, indicando o potencial deste mês para um elevado senso de espiritualidade.


Sagitário (Kislev):
Durante este mês, trabalha-se em "correto relaxamento" ou sono, que resulta na dedicação à "ação correta" durante as horas de atividade das pessoas. O nome da letra deste mês, samech (s), significa "confiança".
A confiança verdadeira em D'us, dá a certeza de afirmar a santidade das pessoas e resistir àqueles que a desafiam. Isso está refletido na celebração de Chanucá, e o signo astrológico de Sagitário, o arqueiro. "Relaxamento correto", usando o descanso como um meio para a ação adequada, ajuda a canalizar os esforços ("mirando" o arco) na direção correta. Da mesma forma, a tribo deste mês, Binyamin, possuía valentes guerreiros. Seu território continha o local do Templo Sagrado, onde as preces e sonhos são dirigidos.


Capricórnio (Tevet):
Este mês, cultiva-se "a ira correta". O Talmud diz que sempre deve-se considerar os outros favoravelmente, e que a "ira" é algo que quase sempre deve ser evitado. Existe também uma "ira positiva", o senso do que se deva rejeitar. O nome da tribo deste mês, Dan, significa "julgar". A letra deste mês, ayin, significa "olho". Tem-se 2 olhos para discernir constantemente o que aceitar na vida, e o que rejeitar. A capacidade de constantemente rejeitar o negativo é simbolizada por Capricórnio (a cabra) conhecida por sua tenacidade.


Aquário (Shevat):
A festa deste mês, Tu Bishvat, é celebrada comendo-se frutos da árvore, refletindo o atributo deste mês, "alimentar-se corretamente". A letra deste mês, tsadic (ts), significa "justo", lembrando do versículo "os justos alimentam-se para nutrir a alma". O verdadeiro teste da espiritualidade individual é tornar-se a alimentação (e todas as outras atividades mundanas) uma experiência espiritual, ou se render à gratificação sensorial. Purificando as atitudes quanto à materialidade, tornando-se conduítes na distribuição da benevolência de D'us ao mundo. Isso está refletido no signo de Aquário, o distribuidor de água. O território de Asher, a tribo deste mês, produzia alimentos em abundância.


Peixes (Adar):
Os peixes vivem nos recessos ocultos do mar. A Festa principal deste mês é Purim, que celebra a mão oculta de D'us na história. A letra deste mês, cuf (c), significa "macaco". Reconhece-se que D'us está oculto quando fazem máscaras em Purim, imitando ("macaqueando") qualquer pessoa que queiram. A celebração de Purim derruba as inibições que ocultam a essência interior. Normalmente, transformar o mal em santidade é um processo metódico. Entretanto, os Sábios ensinam que "o júbilo derruba todas as fronteiras". Através do "riso correto", atributo deste mês, transforma-se obstáculos em oportunidades, um decreto para a destruição em um dia de celebração. Efetua-se esta transformação com a velocidade da tribo deste mês, Naftali, o mais rápido dos filhos de Yaacov.


Fonte principal: http://www.chabad.org.br/datas/calendario/index.html  - adaptado por João Angelo.

Nenhum comentário: