REVISTA ELETRÔNICA de EDUCAÇÃO & SAÚDE.

REVISTA ELETRÔNICA de EDUCAÇÃO & SAÚDE (ano XXXV) 2018 ou 5779
Criação e realização do biólogo e professor JOÃO ANGELO MARTIGNONI TEIXEIRA
Orientação e configuração do engenheiro e professor EVERARD LUCAS CARDOSO

17 de mar de 2017

Aedes aegypti e o Aedes albopictus - ALERTA de FOCOS de PROLIFERAÇÃO para o período de 2016:

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus e a transmissão da Dengue, da Febre Amarela, da Zika (incluindo a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré) e da Chikungunya:
(Resumo da palestra do Prof. João Angelo em 2015/2016).


Em 2016 até Abril, tivemos 2691 casos de Dengue em Nova Friburgo (principalmente em Olaria, Prado, Jardinlândia, Conselheiro Paulino e Riograndina). No mesmo período de 2013 foram notificados 1734 casos de Dengue na cidade.


O vírus tipo 4 [Den-4] deixou de ser registrado durante muito tempo no país, voltando a causar vítimas no ano de 2011, por isso houve uma vulnerabilidade muito grande da população em relação ao vírus tipo 4 em 2013.
Fique atendo e coloque em prática tudo o que estamos aprendendo!
Obs.: até 2013 não se tem ainda uma vacina contra a dengue, porém a UECE (Universidade Estadual do Ceará) está desenvolvendo a 1ª vacina de origem vegetal contra a dengue, tendo como responsável pela pesquisa, a bioquímica Isabel Florindo Guedes.
O imunizador, foi testado em humanos de 2012 a 2014, e se mostrou eficaz em camundongos, que conseguiram produzir anticorpos contra a doença.

O feijão-de-corda (Vigna unguiculata) ou feijão-fradinho -- utilizado no preparo do acarajé baiano -- serviu de base para a produção da vacina.
Os cientistas conseguiram isto com a inserção de genes do vírus na planta e, verificaram que uma única planta pode gerar até 50 doses de vacinas e com baixo risco de reações alérgicas.

MAPA DA DENGUE (em 2015)

1) CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA do MOSQUITO:
Reino: Animalia;
   Filo: Arthropoda;
      Classe: Insecta;
         Ordem: Diptera; Subordem: Nematocera;
            Família: Culicidae; Subfamília: Culicinae;
               Gênero: Aedes; Subgênero: Stegomyia;
                  Espécie: Aedes aegypti.
2) INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
Aedes albopictus (“tigre asiático”) e o Aedes aegypti (“pernilongo-rajado”) são mosquitos que transmitem as doenças: Dengue, a Febre Amarela Urbana, a Zika (incluindo a síndrome de Guillain Barré e a Microcefalia) e a Chikungunya. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, o Aedes albopictus (na foto ao lado vista ao microscópio) é predominantemente encontrado nas áreas com maior cobertura vegetal, enquanto que nas áreas urbanizadas (comunidades), é mais abundante o Aedes aegypti (Aedes = “desagradável” + aegypti = “que vem do Egito” // o que daria = "o indesejável do Egito").
Estes insetos são típicos de regiões de clima tropical e subtropical (com calor e chuvas); teoricamente não conseguiam viver em regiões frias, porém, algumas espécies recentemente se adaptaram a este fato. Em 2012, após vários estudos, verificou-se que estes mosquitos estão "resistentes" a quase todos os tipos de inseticidas vendidos no comércio.
São de tamanho pequeno, em média, de 0,5 a 0,7 cm de comprimento.
Possui cor de café ou preta com manchas (riscos) brancos no dorso, pernas e cabeça.
O ruído deste mosquito é muito baixo, sendo que o ser humano quase não consegue ouvir.
Alimentação: o mosquito alimenta-se de néctar, seiva de plantas, frutas ou outros vegetais adocicados. O mosquito ♀ alimenta-se também como o macho, porém é hematófaga (alimenta-se de sangue animal, principalmente humano). A fêmea precisa de Albumina (substância presente no sangue) para completar o processo de amadurecimento de seus ovos. O mosquito ♀ transmite a doença, mas não sofre seus efeitos.
No momento que está retirando o sangue, a fêmea contaminada transmite um dos quatro tipos de vírus da dengue [Den-1; Den-2; Den-3 ou o Den-4] e/ou os vírus Zika e Chik para o ser humano. Na picada, ela aplica uma substância anestésica, fazendo com que não haja dor na picada.
As fêmeas costumam picar o ser humano na parte da manhã ou no final da tarde, nos pés, tornozelos e pernas, mesmo através da roupa. Isto ocorre, pois costumam voar a uma altura média de meio metro do solo. Um único mosquito ♀ desses em toda a sua vida (45 dias em média) pode contaminar até 300 pessoas.
A fêmea deposita seus ovos em locais com água parada (limpa ou pouco poluída). Por isso, é importante não deixar objetos com água parada dentro de casa ou no quintal. Sem este ambiente favorável, o Aedes aegypti praticamente não consegue se reproduzir.

Além do Aedes aegypti que é um mosquito urbano, transmissor da Febre Amarela urbana, da Dengue, do Zika Vírus, da Chikungunya, da Filariose (Filaráse ou Elefantíase) e a Encefalite, temos outros tipos de Aedes:
*Aedes africanus - mosquito que vive nas matas e ataca os macacos. É vetor da Febre Amarela silvestre.
*Aedes pseudoscutellaris - espécie das ilhas do Pacífico. É o vetor da Filariose ou Elefantíase.
*Aedes canadensis - espécie Norte Americana. Vetor da Encefalite equina.
*Aedes togoi - espécie do Japão. Vetor da Filariose ou Elefantíase.

Como é o Ciclo do Mosquito ♀?
O ciclo do Aedes aegypti  e dos demais Aedes (citados anteriormente) é composto pelas fases:
OVO, LARVA, PUPA e MOSQUITO adulto. Na fase de acasalamento (com o macho), em que as fêmeas precisam de sangue (Albumina) para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença. O seu controle é difícil, por existirem muitos criadouros onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que a chegada de água propicia a incubação (período de incubação: varia de 3 a 15 dias, mas tem como média de 5 a 6 dias).
Na água, os OVOS desenvolvem-se rapidamente em LARVAS  que dão origem às PUPAS, das quais surge o MOSQUITO adulto.
Um OVO de Aedes aegypti pode sobreviver em ambiente seco por aproximadamente 400 dias. Se neste período o OVO entrar em contato com água, poderá gerar uma LARVA e, em seguida, o mosquito.
Os OVOS medem 1 mm de comprimento e são brancos quando depositados na superfície da água pela fêmea, mas tornam-se negros brilhantes depois de algumas horas, desenvolvendo-se em água parada, limpa ou suja, viram LARVAS em aproximadamente 48 horas.
As LARVAS [foto abaixo ao microscópio] alimentam-se de substâncias orgânicas, bactérias, fungos e protozoários existentes na água com temperatura favorável para o seu desenvolvimento, entre 25 a 30ºC. Abaixo e acima destas temperaturas o Aedes diminui sua atividade. Acima de 42ºC e abaixo de 5ºC ele morre. A duração desta fase larval, em condições favoráveis de temperatura e boa alimentação, pode chegar a 10 dias, podendo se prolongar. É sensível a movimentos bruscos na água, movimenta-se em forma de serpente, como um "S" e com rapidez, refugia-se no fundo do recipiente.
As PUPAS não se alimentam nesta fase, quando ocorre a metamorfose do estágio larval para o adulto (mosquito). Quando inativas, as PUPAS se mantêm na superfície da água, flutuando e geralmente de cabeça para baixo, com seu par de tubos expiratórios (trompas ou trompetas) em forma de "Y", que atravessam a água e permitem a respiração da PUPA. Este estado pupal dura, geralmente, de 2 a 3 dias. Raramente é afetada pela ação de larvicidas.
A PUPA tem 2 partes básicas: o cefalotórax (cabeça e o tórax unidos) e o abdômen (vista de lado, tem aparência de uma vírgula).

O que é DENGUE?
O termo Dengue é derivado da frase swahili "ki dengu pepo", que descreve os ataques causados por maus espíritos e, inicialmente, usado para descrever enfermidade que acometeu ingleses durante a epidemia, que afetou as Índias Ocidentais Espanholas em 1927 a 1928.
O swahili é o idioma falado no Quênia, Tanzânia, Uganda, República Democrática do Congo. Áreas urbanas do Burundi e Ruanda, no sul da Somália até ao norte de Moçambique, na Zâmbia e no sul da Etiópia. Comunidades em Madagáscar e Comores (na região da África oriental).
A Dengue é uma doença febril aguda, é uma virose, ou seja, uma doença causada por vírus, transmitido para as pessoas através da picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti
A doença pode se manifestar das seguintes formas: a Dengue Clássica (DC) e a Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) ou Síndrome do Choque da Dengue (SCD).
Dengue Clássica (DC): com sintomas mais brandos, a pessoa doente tem febre alta, dores de cabeça (cefaleia), atrás dos olhos e nas costas. A febre começa a ceder a partir do 5° dia e os sintomas, a partir do 10° dia. Neste caso, dificilmente acontecem complicações, porém alguns doentes podem apresentar hemorragias leves na boca e nariz.
Dengue Hemorrágica (FHD) (geralmente quando a pessoa pega a doença pela 2ª vez): neste caso manifesta-se de forma mais grave. Nos primeiros 5 dias os sintomas são semelhantes ao do tipo clássico. Porém, a partir do 5° dia, alguns doentes podem apresentar hemorragias em vários órgãos e choque circulatório. Pode ocorrer também vômitos, tontura, dificuldades de respiração, dores abdominais intensas e contínuas e presença de sangue nas fezes. Não havendo tratamento médico adequado, o paciente pode falecer, com a Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e/ou a Síndrome de Choque da Dengue (SCD).
Quais as características dos Vírus (1, 2, 3 e 4) da Dengue?
Integrante da família dos Flavivírus e classificado como um arbovírus (transmitido por insetos e artrópodes), o vírus da dengue é composto por uma fita única de ácido  ribonucleico (RNA), revestida por um envelope de proteína (em formato icosaédrico).
Divide-se em 4 tipos (ou 4 sorotipos): Den-1, Den-2, Den-3 e Den-4. Todos estes podem causar tanto a forma clássica da doença quanto a dengue hemorrágico (FHD). Contudo, o Den-3 parece ser o tipo mais virulento, isto é, o que causa formas mais graves da moléstia, seguido pelo Den-2, Den-4 e Den-1. A virulência é diretamente proporcional à intensidade com que o vírus se multiplica no corpo. O tipo 1 é o mais explosivo dos quatro, ou seja, causa grandes epidemias em curto prazo e alcança milhares de pessoas rapidamente.
O ciclo de transmissão do vírus da dengue começa quando o mosquito ♀ pica uma pessoa infectada. Dentro do Aedes aegypti ♀, o vírus multiplica-se no intestino médio do inseto e, com o tempo, passa para outros órgãos, chegando finalmente às glândulas salivares, de onde sairá para a corrente sanguínea da pessoa que sofreu a picadura.
Assim que penetra na corrente sanguínea da pessoa, o vírus se multiplica em órgãos específicos (no baço, no fígado e nos tecidos linfáticos). Esse período é conhecido como incubação e dura de 4 a 7 dias. Depois o vírus volta a circular na corrente sanguínea e aí, ocorrem os sintomas.
O vírus também se replica nas células sanguíneas e atinge a medula óssea, comprometendo a produção de plaquetas ou trombócitos (cél. do sangue, fundamental para os processos de coagulação). Durante sua multiplicação, formam-se substâncias que agridem as paredes dos vasos sanguíneos, provocando uma perda de líquido (plasma). Quando isto ocorre rapidamente, aliado à diminuição de plaquetas ou trombócitos, ocorrem distúrbios no sistema circulatório, como hemorragias e queda da pressão arterial (choque) - este é o quadro da dengue hemorrágico (FHD).

Por que não se deve tomar medicamentos anti-inflamatórios e nem à base de Ácido acetilsalicílico (C9H8O4)?
Os doentes não podem tomar analgésicos ou antitérmicos com base de C9H8O4 = ácido acetilsalicílico (Aspirina, AAS, Melhoral, Doril, Bufferin, Voltaren, Cataflan, Aspegic, Dolviran, Alka-Seltzer, etc...), pois estes favorecem o desenvolvimento de hemorragias no organismo, abaixando drasticamente o número de plaquetas ou trombócitos sanguíneos.
No caso mais grave da doença, a hemorrágica (FHD), deve haver um rigoroso acompanhamento médico em função de agravamento com perdas de sangue e choque circulatório. Com indicação médica você poderá tomar medicamentos com dipirona (C13H16N3NaO4S) ou paracetamol (C8H9NO2).

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